Sexta-feira, Outubro 09, 2009

Excesso de Liberdade



afinal não era asfixia democrática, era 'excesso de liberdade, disse o representante da comissão nacional de eleições na madeira. estamos sempre a aprender.

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Quarta-feira, Outubro 07, 2009

Eu vi

eu vi e foi patético. pessoas crescidas fazendo garotices

Quinta-feira, Setembro 10, 2009

Plano de Urbanização da Ribeira de S.João

Abaixo, a minha contribuição na discussão pública do Plano que terminou hoje.

Introdução
A Câmara Municipal do Funchal levou agora à discussão pública o denominado plano de urbanização da Ribeira de São João. Este plano, que inicialmente fazia coincidir os seus limites com uma área definida no PDM de 'Zona de Reconversão Urbanística', tinha toda a razão de existir e apenas não se compreende como é que a Câmara não apresentou este plano mais cedo, tendo em consideração que o Regulamento do PDM não permite novas construções sem a existência de Plano de Pormenor ou de Urbanização. Entretanto passaram 12 anos (!) de imobilismo urbanístico numa parte da cidade que, junto com as outras ribeiras, constitui uma importante entrada na cidade.
Porém, os limites assinalados agora no plano que se apresenta, englobam várias classes de espaço com características e morfologias urbanas completamente distintas, não se percebendo por isso a lógica que sustenta a definição dos limites do Plano. Isto é, conhecendo o historial do desenvolvimento urbanístico recente, fácil será encontrar as razões que levaram à redefinição dos limites do plano, que não são as mais correctas para servir de base à execução de um plano urbanístico.
Este plano revela-se, de muitas formas, um instrumento urbanístico que apenas surge para colmatar uma série de erros e ilegalidades cometidos nos anos recentes em que tem vigorado este PDM ou, de outra forma, dar suporte legal a intervenções que não estão no âmbito do PDM. No primeiro caso, é o reconhecimento pela Câmara Municipal dos erros cometidos ao licenciar edifícios como o Funchal Centro, a ampliação do Hotel S. João, o empreendimento a Norte deste hotel, ou da construção do gaveto da Rotunda do Infante, actualmente embargada. No segundo caso é a revelação mais uma vez da tábua rasa que esta Câmara faz do seu Plano Director, não seguindo o que estrategicamente está definido no Regulamento e no Relatório do PDM.

Análise crítica do Plano
Relativamente à concepção deste Plano de Urbanização há que referir os seguintes aspectos:
1. É um plano sem autoria. Ou seja, não aparece o nome do autor ou coordenador geral do Plano a quem se possam atribuir as estratégias e ideias fundamentais. Numa cidade como o Funchal, com nomes de autores de gabarito reconhecido na história do urbanismo, é lamentável que hoje se tomem caminhos diferentes. Este facto é também revelador do forte peso político que o Plano tem, em detrimento de opções técnicas e ideias de um autor sobre as quais possa responder.
2. O zonamento, para além de incompreensivelmente retalhado, com zonas que correspondem a edifícios isolados ou que a sua classe funcional lhes é apenas atribuída pelo facto de aí já existirem essas funções, não responde a um desejável planeamento prospectivo, reduzindo-se à insignificância de, na maior parte da área da intervenção propor o que já existe, atribuindo-lhe maior capacidade construtiva.
3. Existem zonas que estão definidas no PDM com índices e volumetrias bastante menores do que agora são propostas neste Plano. Qual é a justificação para isso acontecer? Como exemplo, quase todas as 'Zonas Mistas Habitacionais e Terciárias-B' com índice de utilização 1,5 e cérceas de 19m, coincidem com 'Zonas Habitacionais de Média Densidade' de acordo com o regulamento do PDM com índices de edificabilidade máximos de 1,25.

Reclamações
1. A maior parte das construções previstas para a Unidade de Execução UE1, pela sua volumetria e índices de ocupação e utilização, vão contra o que está definido no PDM para a Zona Central, designadamente o Artº 20º do regulamento do PDM que aponta para a preservação das características morfológicas, ambientais e da imagem urbana que existiam á altura da elaboração do PDM e que continuam a vigorar.
2. A parte do plano que é mais vaga e não se vislumbram regras urbanísticas de intervenção é inexplicavelmente aquela que é menos trabalhada e pormenorizada. A Zona Mista Habitacional e Terciária-A deveria ter, no mínimo, o mesmo tratamento que têm as denominadas 'Unidades de Intervenção', sendo mesmo desejável que atingissem o grau de definição da Unidade de Execução 1. Desta forma nunca se irá garantir uma lógica racional para as diversas intervenções que aí irão surgir com vista a um desenho urbano qualificado e aprazível.
3. Há uma regra que lamentavelmente surge em diversos artigos e deturpa em grande parte o sentido do planeamento urbano: .(…) exceptuando-se situações em que a Câmara delibere existirem razões de interesse social, urbanístico e económico. Julgo que este tipo de texto deve ser retirado, pois quando existem essas situações devem ser de tal maneira condicionante que deve obrigar a revisão do Plano e consequente consulta pública.
4. Julgo que nos artigos referentes à Zona Mista Habitacional e Terciária-A, os índices devem ser referenciados como 'índices máximos' e deverá ser acrescentado um artigo que refira o compromisso de desenvolver essa zona como uma Unidade de Execução.
Espero com este documento ter contribuído para o melhoramento deste instrumento de planeamento urbanístico, em discussão pública, a bem da cidade do Funchal e do interesse público.
Funchal, 10 de Setembro de 2009

Quarta-feira, Setembro 09, 2009

Asfixia democrática

Manuela Ferreira Leite diz que na Madeira não há 'asfixia democrática'. Concordo. Trinta e tal anos a apertarem a garganta às pessoas fez cair em coma uma sociedade numa apatia e auto-censura que em nada enriquece o desenvolvimento de uma região que a natureza previligiou. Por isso, 'asfixia democrática'? Sabe lá ela o que é isso.

Quinta-feira, Agosto 20, 2009

Amanhã


Amanhã celebra-se o dia da cidade do Funchal. O anfitrião das festividades, presidente desta autarquia desde 1994, completa este ano o mandato que lhe foi confiado pela maioria dos funchalenses em 2005.
No fim deste mandato (4 anos!) ainda estamos no início do processo de revisão do PDM, instrumento essencial para o ordenamento urbanístico do Conselho, processo este anunciado mesmo no mandato anterior.
Durante este mandato constata-se ter havido um incremento na elaboração de planos de urbanização e de pormenor, instrumentos essenciais à definição de espaços públicos qualificados. Contudo verifica-se que a maior parte foi para corrigir ilegalidades licenciadas pela Câmara (Plano de Pormenor da Quinta do Poço, Plano do Amparo, Plano da Ribeira de S. João-em discussão pública) ou para dar enquadramento a obras que, no âmbito do PDM, seriam ilegais (Plano do Infante, Plano do Castanheiro).
Além do mais, verificaram-se uma série de suspensões e adaptações do PDM completamente incompreensíveis à luz de uma política séria de ordenamento do território.
Por outro lado continua-se a governar a cidade sem uma estratégia clara e mobilizadora, quer em relação às zonas de expansão, quer em relação ao denominado centro histórico.
A verdade é que não há uma ideia do que se quer para cidade. Não há ninguém a PENSAR a cidade.
Por isso, não basta que esta cidade seja um exemplo nas operações de salubridade e saneamento básico; que comece a notar-se uma cuidado maior nos arranjos das áreas ajardinadas; que seja visivel um bom trabalho no Parque Ecológico; e que se possa reconhecer um sucesso com mérito da Câmara na animação cultural e desportiva da cidade, para considerar que se tem governado bem a cidade.
Assim, amanhã não há grande coisa para celebrar.

Terça-feira, Agosto 18, 2009

o bocejo

Perguntaram-me há pouco se este ano iria estar presente nas cerimónias do dia da cidade do Funchal. Este ano não.

Para mim o dia da cidade devia servir para comemorar o passado e projectar o futuro. Nos discursos dos responsáveis políticos devia ser apresentada uma ideia para a Cidade, explanadas as estratégias e, eventualmente anunciadas algumas acções ou obras de relevância.

Mas os protagonistas vão ser os mesmos e, a julgar pelas três últimas cerimónias, só se espera um grande bocejo:
O Sr. Presidente da Câmara vai falar de tudo menos da cidade. Falará de política internacional, na crise e ainda de todos os idiotas, incompetentes e anormais que não concordam com o que ele diz.
O Sr. Presidente do Governo Regional, como convidado de honra, também passará ao lado das questões da capital da Região, falará eventualmente dos terroristas que põem acções populares e dos mártires que, apesar de não cumprirem as leis, criam postos de trabalho e ajudam a economia (mesmo que seja à custa de hipotecar um futuro sustentável).
No final, algum dos dois dirá que tudo o que está mal é culpa de Lisboa e tudo o que está bem é obra do PSDmadeira.

Por isso, não vale a pena perder um dia de praia.

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Domingo, Agosto 16, 2009

en formation

Dans le week-end ont n'a pas eu de blog parce que on était en formation de la Résistance. Ce groupe de 'maquis' prépare à libérer la ville de Funchal.

Cette lutte consiste en actions de renseignement, de sabotage ou des opérations militaires contre les troupes d'occupation. Mais elle englobe aussi des aspects plus civils et non-violents, ainsi l'existence d'une vaste presse clandestine, la diffusion de tracts, la production de faux papiers, l'organisation de grèves et de manifestations, la mise sur pied de multiples filières pour sauver les prisonniers de guerre évadés, les réfractaires et les hombres persécutés.

Vive la Liberté

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Sexta-feira, Agosto 14, 2009

férias


Com a história da crise, muita gente tem-se encolhido para tirar umas férias fora de casa. Outros voltam-se para destinos menos ambiciosos e vão ali à praia do lado, não porque apreciem mas porque não dá para mais.
Mas há outras hipóteses. Para pessoas menos conservadoras há a hipótese de trocar de casa por uma ou duas semanas com alguém noutra parte do planeta.
Li na Time deste mês que este é um fenómeno que já existe nos EUA desde 1953 com uma organização que se chamava Intervac. Mas agora, nos domínios da Internet, abrem-se milhares de possibilidades. Confesso que nunca experimentei, mas é uma coisa que faz todo o sentido. Um dia quem sabe...
Entretanto, para quem tropeçar neste blogue e quiser investigar pode ir por aqui www.homeexchange.com
Boa viagem

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Quinta-feira, Agosto 13, 2009

Ainda na jangada


Esta necessidade de ter dizer alguma coisa para a comunicação social é por vezes irritante.
Ao que parece, começaram para aí a dizer, começámos a sair da crise. Como se isso fosse possível. Os paradigmas continuam imutáveis, as reformas por fazer e os horizontes curtos como sempre.
Se continuamos a viver da mesma maneira como é que algum dia podemos ter a esperança de mudar?
Lá por ao longe se ter avistado um bocado de terra não significa que estejamos salvos.
E por cá continuaremos na jangada.

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Quarta-feira, Agosto 12, 2009

Estádio dos Barretes


começaram as obras de demolição do estádio dos barreiros.
vem aí mais um mega-estádio para uma cidade com menos de 150 mil habitantes.

as perguntas que se devem fazer:
-quantas vezes por ano encheu o estádio dos barreiros nos últimos dez anos?
-qual o impacte do futebol na economia regional, nomeadamente no incremento do turismo?
-onde estão os responsáveis políticos que tanto criticaram a construção de estádios no continente para o Euro?
-quanto é o erário público ficou a perder nestas trocas baldrocas.

Terça-feira, Agosto 11, 2009

Que pena...

Que pena que eu tenho deste mundo estar cheio de hipócritas...

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Segunda-feira, Agosto 10, 2009

Consciência

A reler os Mais apanhei esta do marquês de Souselas para o Craft, a propósito da falta de remorso de alguns elementos da sociedade.
Dizia ele que a consciência é uma questão de educação. Adquire-se como as boas maneiras, aprende-se como se aprende a não meter os dedos no nariz. Questão de educação... No resto da gente é apenas medo da cadeia, ou da bengala...

Ora, pergunto eu, se já ninguém usa bengala e se já quase ninguém tem medo da cadeia, se há até pessoas com responsabilidades públicas que gritam em praça pública que não cumprem as leis porque todos à sua volta são incompetentes, tontos, idiotas e outros adjectivos impróprios, será que temos que nos habituar a conviver com a gentalha que tira macacos do nariz em público?

Domingo, Agosto 09, 2009

mmm....

está a apetecer-me retomar a escrita neste blog.

Segunda-feira, Junho 02, 2008

"Não me dá muita vontade de trabalhar em Portugal"

Entrevista de Siza Vieira no Brasil.
30.05.2008, Nuno Amaral, Porto Alegre

A primeira obra de Siza no Brasil é um salto na internacionalização.
A obra-prima, inesperada e jovem, é um museu em Porto Alegre

Aos 75 anos, Álvaro Siza Vieira, o mais conhecido arquitecto português, olha com desencanto para um país que "destrói e trucida" algumas das obras que o celebrizaram. No Brasil encontrou o que precisava e hoje inaugura, em Porto Alegre, a Fundação Iberê Camargo, projecto distinguido com o troféu Leão de Ouro na Bienal de Arquitectura de Veneza de 2002, um facto inédito na América Latina.

O que encontrou no Brasil?
A junção de esforços e estímulos para que a obra "ficasse bem feita".

Qual a obra que sente que ainda lhe falta fazer em Portugal?
Quase que não queria fazer mais nenhuma.

Porquê?
Porque das que tenho feito, algumas estão abandonadas, a arruinarem-se. Outras já são motivo de insultos, mesmo antes de aparecerem no espaço.
De insultos? Olhe, por exemplo, a Avenida dos Aliados, no Porto. Há pessoas que não gostam, é um direito. Mas houve escritos insultuosos nos jornais, sobretudo o empolamento da posição de um número de pessoas, a tal "grande manifestação na praça" dos Aliados, que teve televisões e tudo, páginas de jornais... e estavam lá 29 pessoas a manifestar-se, segundo li.
Mas recebe também muitos elogios.

Sim, a crítica boa ou má é fundamental. Em Portugal, à partida, costuma destruir-se completamente e essa é uma reacção que não se vê quando aparece uma obra desgraçada. Mas isso já não se lê no jornal.
Quando se está a destruir as margens do rio Douro, por exemplo, não vejo críticas nos jornais.
Mas tem ainda projectos em execução?
Estou ainda a fazer obras em Portugal, como a Fundação Júlio Pomar e os parques lúdicos termais de Vidago e de Pedras Salgadas, por exemplo, mas muitas vezes pergunto-me se vale a pena.
O Pavilhão de Portugal está abandonado, custou não sei quantos milhões de contos, não faz sentido, não se entende por que se inutiliza esse investimento. O Bairro da Malagueira, em Évora, está trucidado... trucidado. Realmente, tendo alternativas, não me dá muita vontade de trabalhar em Portugal. Enfim, continuo a trabalhar e gosto, mas tenho como ponto de partida a noção de que não vai servir para grande coisa. Em contrapartida, aqui [Porto Alegre], surgiu uma oportunidade de trabalho muito boa. O local é belíssimo, a cidade estava interessada em ter um museu bonito, surgiu uma equipa muito bem organizada, foram criadas condições de diálogo; enfim, condições difíceis de encontrar.
Esta é uma obra especial, além de ser a primeira que assina no Brasil?
Sim, completamente. Quem promoveu a construção deste edifício queria uma obra bela e criou as condições para o arquitecto fazer o melhor que pôde. Isso é raro. Normalmente o dono da obra não está muito interessado na qualidade.
Se estamos a trabalhar em Portugal, por norma, o que conta é que o projecto seja feito em muito pouco tempo e não se pode estar com grandes exigências. Às vezes debatemo-nos com um problema, as coisas não estão a sair bem e não temos apoio para que possam sair melhor.
Teve, então, um cheque em branco da Fundação Iberê Camargo?
Não se trata de um cheque em branco. A qualidade da arquitectura não tem que ver com dinheiro, posso fazer uma obra de baixo custo e de grande qualidade. Foi estímulo, teria de ser um edifício emergente e houve muito apoio para que ficasse bem feito. Houve uma congregação de esforços e vontades entre a fundação, a administração, a própria viúva, todos queriam atingir bons resultados.

É reconhecido por respeitar sempre o espírito do lugar - o resultado foi um edifício de linguagem Siza com sotaque brasileiro?
Os sotaques não vêm só do autor, surgem das próprias condições e circunstâncias em que um edifício é produzido. Por exemplo, na Holanda, onde trabalhei há anos, em habitação, tudo quanto se faz é prefabricado, necessariamente...

É relevante que a sua estreia no Brasil seja esta fundação?
Esta obra foi uma sorte incrível, gostei muito do programa, o local é lindíssimo, apesar de muito difícil, tem aquela largueza de espaço em frente, tão característico do Brasil.
Tenciona fazer mais algum projecto no Brasil?
Há experiências muito boas, não só no Brasil, mas na Coreia e no Japão, para onde tive agora um convite para fazer um hotel. Nestes sítios há realmente uma vontade, não de se ter só uma imagem, é de ter um projecto sólido. Na Europa, não sei...

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