segunda-feira, maio 05, 2008

Valor, contexto e arte

Um sujeito entra na estação do metro, vestindo jeans, T-shirt e boné, encosta-se próximo à entrada, tira o violino da caixa e começa a tocar com entusiasmo para a multidão que passa por ali, na hora de ponta matinal. Durante os 45 minutos em que tocou, foi praticamente ignorado pelos passantes. Ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, executando peças musicais consagradas, num instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares.

Alguns dias antes Bell tinha tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custam a módica quantia de 1000 dólares. A experiência, gravada em vídeo, mostra homens e mulheres de andar ligeiro, copo de café na mão, telemovel no ouvido, indiferentes ao som do violino. A iniciativa realizada pelo jornal The Washington Post era a de lançar um debate sobre 'Valor, Contexto e Arte'. A conclusão: estamos acostumados a dar valor às coisas quando estão num contexto. (Bell era uma obra de arte sem moldura. Um artefato de luxo, sem etiqueta de marca.)

(recebido por mail)

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