sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Marinho Pinto

os post anteriores foram sobre a "Grande Entrevista" de Judite Sousa a Marinho Pinto, recém empossado bastonário da Ordem dos Advogados. Podem chamá-lo de populista, demagógico e sei lá mais o quê. Podem dizer o que quiserem, mas o certo é que o seu discurso espelha a preocupação de todos os portugueses que vêem ou sentem na pele o problema da corrupção, mas que não podem fazer nada pois não têm os poderes do ministério público ou os meios da polícia judiciária.

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7 Comments:

Blogger BaBy_BoY_sWiM said...

Veja as obras do grande Primeiro Ministro!

10:04 da tarde  
Blogger Luís Vilhena said...

Não percebi. Importa-se de repetir?

11:51 da tarde  
Blogger Cláudio Santos said...

Lamentavelmente estás (mais uma vez) profundamente enganado. Meia dúzia de disparates são sempre meia dúzia de disparates mesmo quando são proferidas por alguém com o título de bastonário. Este amigo tem alguma acusação em concreto? Não. Uma pista para fornecer e apontar a polícia na direcção certa? Também não... Já sei: um nome!? Nem pensar.
Este amigo não tem RIGOROSAMENTE nada, nem na manga nem noutro lado, excepto um ego ENORME que se sente imortalizado por aparecer no fundo do meu caixote do lixo de amanhã. Bem haja.
Aliás, contrariamente aos anteriores bastonários, este não passa de um desconhecido que encontrou na complacência dos meios de comunicação social, uma forma de finalmente ser cumprimentado por alguém de fora da sua família directa! É mais um imbecil, o que é significativo para a clique que lhe entregou o bastão, que não tem coragem para acusar ninguém de nada e que tenta ocultar a sua impotência acusando todos, genericamente, de tudo. E tem o enorme mérito de nos por com vontade de falar dele, o que diz tudo acerca da eficiência deste cocktail de enganos.

Mas não confundas a opinião do dito com o reflexo da nossa sociedade, que sofre com a corrupção.

A corrupção não é mais do que o crime dos cobardes, que não têm coragem de assaltar um banco e correr o risco de levar um tiro nos cornos para alimentarem os seus mesquinhos egos, ou financiarem as mamas silicónicas das suas putas de estimação.
E, sendo um fenómeno de cobardolas, a corrupção só sobrevive com a complacência dos políticos, nomeadamente os que se alternam (em ambos os sentidos literários, nota) no poder e que não dotam os tribunais, o MP e as polícias dos necessários meios para combater esta lepra. E em última análise, com a nossa complacência também, que poderiamos e emigrar para um país decente se fossemos minimamente coerentes.

12:17 da manhã  
Blogger BaBy_BoY_sWiM said...

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8:52 da tarde  
Blogger Luís Vilhena said...

Lamentavelmente estás (mais uma vez) profundamente enganado. É certo que o homem não tem o nome de um Miguel Júdice ou coisa que o valha. Mas, provavelmente, isso será um ponto a favor dele. Assim não está agarrado aos grandes interesses económicos nem a avenças do estado que lhe possam prender a língua. Eu penso que é obrigação de pessoas que ocupam cargos como o de bastonário de uma Ordem, ou outros de interesse público, colocarem na ordem do dia assuntos que não só digam respeito à sua classe mas que também, directa ou indirectamente afectem a sociedade em geral.
Quanto ao que ele disse quanto ao que não disse. Quanto a mim ele limitou-se a replicar notícias que vieram a público na comunicação social mas sobre as quais o ministério público assobiou para o lado. Apenas se limitou a juntar a sua voz à de muitos que vêem atingida a sua cidadania todos os dias. Mas enquanto o cidadão comum só é ouvido, ou só se faz ouvir nos dias das eleições, a voz de um bastonário de uma ordem, ainda por cima dos advogados, já pode causar alguns efeitos. Pelo menos teve o mérito de pôr o assunto de novo na ordem do dia, a par com discursos mais diplomáticos do Presidente da República, ou de outros, com paninhos quentes.

Quanto à sua obrigação de deitar cá para fora nomes e casos concretos. Eu penso que ele não tem essa obrigação. Não tem, porque não tem o poder do ministério público nem os meios da polícia judiciária. Além do mais acharia extremamente deselegante e mesmo perigoso, um individuo vir para a praça pública fazer acusações que só podem ser provadas em tribunal. O que deveria agora acontecer era o ministério público chamar o Sr. Dr. Marinho Pinto e perguntar: então vamos lá saber que casos são esses que o levam a pensar que há corrupção e tráfico de influências para nós avaliarmos se vale a pena mandar investigar. Mas isso dá muito trabalho….
Eu reitero a minha opinião. Ainda bem que este individuo apareceu. Ainda bem que diz o que disse. Só espero que continue e não afrouxe assim que lhe forem oferecidas umas valentes avenças e uns super-contratos com os grupitos do costume.

Esse teu discurso do: «vê lá mas é se provas aquilo que andas a dizer» é que nos tem levado a este estado das coisas. Aliás mais próprio de pessoas com rabos de palha do que de pessoas como tu.
Tanto mais que a corrupção não é minimamente comparável com um assalto a um banco. Por duas razões. Por um lado o assalto a um banco é visto pela sociedade como um crime punível por lei e altamente condenável. Já o crime da corrupção, diria que faz quase parte da nossa cultura e por isso, embora visto de soslaio é até tolerável pelo cidadão desde que não mexam directamente no seu bolso. Por outro lado os crimes, como assaltos a bancos e assassínios há só um tipo que é beneficiado e o outro é altamente prejudicado. Já no caso da corrupção tanto o corruptor como o corruptível saem beneficiados deixando apenas o interesses público, quase sempre prejudicado, o que , como se trata de uma coisa vaga e de contornos pouco claros, deixa pouca gente prejudicada directamente.
Quanto ao emigrar ou não. Há ainda uma terceira hipótese que é a geralmente seguida pelos países para onde gostarias de emigrar, que é, em vez de encolheres os ombros fazeres algo para ajudares a mudar as coisas que não te agradam.

1:56 da tarde  
Blogger Vieille Canaille said...

O problema da corrupção é sempre o de a conseguir provar... engraçado, se o Marinho Pinto está /estava errado, porque aparecem "juízes" a criticá-lo?

9:49 da tarde  
Blogger Cláudio Santos said...

Democraticamente, não só aceito a resposta, como te relembro a eloquência do poeta, que ficaria bem no teu blog.

"Eu não pertenço a nenhuma das gerações revolucionárias. Eu pertenço a uma geração construtiva.
Eu sou um poeta português que ama a sua pátria. Eu tenho a idolatria da minha profissão e peso-a. Eu resolvo com a minha existência o significado actual da palavra poeta com toda a intensidade do privilégio.
Eu tenho 22 anos fortes de saúde e de inteligência.
Eu sou o resultado consciente da minha própria experiência: a experiência do que nasceu completo e aproveitou todas as vantagens dos atavismos. A experiência e precocidade do meu organismo transbordante. A experiência daquele que tem vivido toda a instensidade de todos os instantes da sua própria vida. A experiência daquele que assistindo ao desenrolar sensacional da própria personalidade deduz a apoteóse do homem completo.
Eu sou aquele que se espanta da própria personalidade e creio-me, portanto, como português, com o direito de exigir uma pátria que me mereça. Isto quer dizer: eu sou português e quero portanto que Portugal seja a minha pátria.
Eu não tenho culpa nenhuma de ser português, mas sinto a força para não ter, como vós outros, a cobardia de deixar apodrecer a pátria. (...)"


Almada Negreiros
Obras Completas
Vol.VI

3:53 da tarde  

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