terça-feira, abril 04, 2006

Alzheimer

O arq. Ricardo Silva, ex-vereador com o pelouro do urbanismo na C.M.F. (1994-2002), costuma escrever uma coluna de opinião no semanário TRIBUNA da MADEIRA. O último jornal publica o seguinte texto do arquitecto paisagista que durante oito anos teve responsabilidades no desenvolvimento urnbanístico do Concelho do Funchal:

"Quem, como eu, pretende comentar questões ligadas à cidade e às suas gentes, não pode deixar de tecer alguns comentários acerca da recente polémica sobre o “Funchal Centrum”. A autoridade administrativa Câmara, cujo objectivo é servir a cidade e as suas gentes, de acordo com aquilo que julga ser o melhor e o mais correcto para o desenvolvimento económico e social da cidade e para o bem-estar das suas populações, fez aprovar o P.D.M. do Funchal (em 1997), por forma a ter um documento orientador para o seu desenvolvimento . A mesma autoridade administrativa aprovou o projecto do “Funchal Centrum”, com toda a certeza, por julgar ser este o melhor para aquela área da cidade. Contudo, não mandou elaborar previamente o plano de pormenor que o P.D.M. exigia. Um grupo de cidadãos, cujo objectivo, segundo dizem, é “moralizar”, decidiu solicitar a nulidade da licença de construção emitida pela Câmara.
A Câmara, muito provavelmente, irá mandar elaborar o plano de pormenor que já deveria ter executado há 4 anos e o projecto ficará legal e será construído, de acordo com o anteriormente aprovado. O que se ganha com tudo isto? Ódios, prejuízos financeiros, descrédito da opinião pública sobre as leis, tribunais, Câmaras, promotores, grupos de cidadãos, etc. Ou seja, perdeu-se tempo e dinheiro, brincou-se ao rato e o gato, a região e a cidade não produziram, gastaram-se energias nos media e tudo ficará como antes. É este o país que temos, vivemos num Estado quase policial, que tudo quer controlar e regulamentar e onde posteriormente tudo se ultrapassa e resolve. Num Estado que tudo facilita para evitar “mais trabalho” e depois tem “mais trabalho” para corrigir o “menos trabalho”. Num Estado onde as autoridades administrativas têm dificuldade em acompanhar o ritmo da vida económica e do desenvolvimento social, face á apertada teia de regulamentos a que se encontram submetidas. Num Estado onde há pouco profissionalismo e onde existe pouca confiança dos cidadãos na administração. Então qual a solução para esta situação? Ainda existe saída? Não tenho dúvida que sim, tudo se resolve no dia em que as populações acreditarem e reconhecerem que no poder, nos lugares de chefia estão pessoas sérias e isentas, aquelas que acreditam na cidade, na comunidade e tudo fazem pelo bem comum em detrimento dos benefícios de terceiros, quando acreditarem que não há dualidade de critérios, que os direitos individuais, das minorias e dos vizinhos são salvaguardados, tendo sempre em consideração o melhor para a cidade e os seus cidadãos. O drama é que pelas mais variadas razões, não tem havido capacidade de passar essa mensagem, que julgo ser real. É importante que se acredite na honestidade das pessoas. Mas também é importante que os dirigentes sejam profissionais e competentes, que estejam bem assessorados e que tenham coragem de mudar quem deve ser mudado e alterar o que deve ser alterado. Nessa altura, não serão necessários tantos regulamentos, processos judiciais, ou grupos de cidadãos, e os processos serão mais célebres e justos. O problema deste país é que para além duma acentuada falta de cultura e educação, ninguém acredita em ninguém."

Pois é...

1 Comments:

Blogger Xarope said...

Caro LV, este texto não é um caso de Alzheimer, é, antes sim, mais uma demonstração das crónicas vitimizações que são apanágio de ex-políticos. Eu acho muita, mas mesmo muita piada, à análise: agora que tem tempo para meditar sobre estes problemas filosóficos, o arquitecto já percebeu que a culpa do estado miserável em que os bens públicos estão é... dos cidadãos, que não acreditam nos políticos e nas suas boas intenções. Contra a excessiva rede legislativa que se criou em Portugal e que de facto atrapalha muitas vezes o desenvolvimento das coisas o arquitecto não vê outra solução que... pedir fé ao cidadão. A falta de educação generalizada do povo é uma característica que não atinge os políticos...

Todo o artigo é uma piada de mau gosto e todo o tempo perdido é lê-lo é isso mesmo, perdido.

E todo o tempo gasto a comentá-lo só vale pelo incómodo que se poderá dar ao arquitecto, fazendo-o saber que nem todos somos tolos ou intelectualmente incompetentes como ele gostaria.

O grande problema de Portugal chama-se JUSTIÇA, e no dia em que começar a funcionar adequadamente contribui, isso sim, para aumentar a nossa fé nas pessoas, ou pelo menos a nossa fé em que as pessoas sem escrúpulos tenham na cadeia, e não em mansões construidas com os dinheiros de todos nós, a sua morada!

Uma última dádiva do meu tempo

6:00 da tarde  

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