domingo, fevereiro 19, 2006

O Terrritório por água a baixo


Estava a passar há pouco um programa na RTP2 de Teresa Shemid, sobre a água como recurso e a sua gestão em Portugal. Embora tenha apanhado o programa a meio, deu para ouvir duas ou três das entrevistas com os vários técnicos que discorreram sobre o tema.
Entre elas, uma, de um técnico que se sentia algo frustrado por, só agora, quando surgem as directivas europeias a ditar regras e obrigações do Estado português perante esse recurso que é a água, é que os politicos acordam. Uma pena quando os técnios nacionais já andam a alertar para o problema há mais de 30 anos.
Mostrou também as imagens de Marcelo Rebelo de Sousa nadando nas águas do Tejo durante a campanha para a Câmara de Lisboa em 89, como forma de chamar a atenção da opinião pública para um problema que passa ao lado da maior parte das pessoas. Um problema a qual ningué, liga mas que todos, colectivamente, acabamos por pagar através dos impostos e da degradação de um recurso nacional.
Teresa Shmid que, lembro-me, fez há tempos um excelente programa sobre o ordenamento do território, acaba este programa lembrando-nos que durante os últimos 30 anos, época em que se fez sentir mais o problema, os responsáveis políticos desculpavam o desordenamento e poluição dos rios de forma a não travar o desenvolvimento económico e não pôr em causa os postos de trabalho. Passados estes anos todos, o território está desgraçadamente desordenado e desqualificado, os rios continuam poluídos e os empregos nas fábricas… bom, muitos deles já não existem. Em troca, o território como recurso, tendo em conta por exemplo a procura turística, é pobre e escasso.
Mas não há maneira de aprendermos, pois não?

Powered by Blogger