quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Era uma vez uma caravela, um calhau rolado e um caixote



Na próxima sexta-feira vamos todos conhecer o objecto arquitectónico que vai mudar a face de uma parte do Porto do Funchal.

Há várias questões que me apetece pôr em cima da mesa:
1-Quem foi o mentor da teoria de um construir um aquário naquele sítio sabendo que: a Câmara Municipal do Funchal faz parte da Sociedade Metropolitana de Desenvolvimento; sabendo que a Câmara já tinha um projecto de um aquário para o Cais do Carvão; sabendo que a Câmara argumentou não continuar o seu projecto do aquário por não garantir a sua sustentabilidade financeira. Era interessante que o pai assumisse a paternidade.
2-Tendo consciência que há um “Plano Director” para o Porto desactualizado, mesmo que aprovado há relativamente pouco tempo, porque é que não se partiu de um projecto urbano que englobasse todo o Porto, desta da pontinha até à Marina e que, inclusive pudesse continuar até ao Forte de S. Tiago. Desta forma conseguiria-se uma coerência na intervenção, tanto ao nível do espaço público como na relação entre os diversos edifícios que hão-de ser construídos. A forma de intervir que foi adoptada é, à semelhança do que se tem feito no resto da cidade, um somatório de objectos sem coerência entre eles e por isso sem uma qualidade urbanística e de fruição do espaço público que seria desejável.
3-É bom que as pessoas saibam que este concurso foi lançado no final do mês de Julho com o prazo de entrega para o princípio de Setembro, mais ou menos no mês em que alguns ateliers fecham para férias e outros se encontram desfalcados de colaboradores. Note-se que não falo em causa própria porque não teria condições para concorrer a um projecto dessa envergadura, pelo menos sozinho, mas estou a pensar que, se o concurso tivesse sido lançado com tempo, com divulgação internacional nos meios próprios e com um prazo aceitável para um programa com a complexidade própria exigida por aquário, provavelmente não teríamos apenas o Sr. Arquitecto Manuel Salgado e mais outras duas equipas, mas sim a presença de concorrentes internacionais e um concurso verdadeiramente internacional que poderia divulgar o nome da Madeira pelo mundo.
4-Alguém acredita que não se saiba quem são os concorrentes que apresentaram propostas? O concurso foi adiado várias vezes, tendo sido os concorrentes informados directamente, sem anúncio público, por isso é estranho que ninguém soubesse a quem enviar as cartas com os esclarecimentos e com os sucessivos adiamentos para a entrega das propostas. Aliás qual é o mal de se saber quem são as equipas concorrentes? Espero que a qualidade e experiência das equipas sejam um factor de ponderação para a escolha de quem vai fazer o projecto.

Enfim, mais um oportunidade perdida de construir uma cidade com pés e cabeça; mais um projecto lançado em cima dos joelhos e, esperemos que o futuro me contradiga, mais uma obra para todos nós sustentarmos, os Senhores inaugurarem com pompa e circunstância, com o povo a pensar que não é ele quem, mais tarde ou cedo, pagará a conta.

1 Comments:

Blogger Sincero said...

O meu amigo está embalado a uma velocidade...

12:37 da manhã  

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